Reimaginando a educação na era exponencial | Gamecubo

science-1182713_1920Por Raya Bidshahri

 

O futuro da humanidade será radicalmente diferente do que vemos hoje. Como disse Ray Kurzweil, “não teremos 100 anos de progresso no século 21 – será mais de 20.000 anos de progresso (na taxa atual)”. Teremos o potencial de viver em Marte, conectar nossas mentes às máquinas, e acessar uma abundância de recursos.

Mas a nossa juventude está preparada para viver em tal mundo? Estamos equipando-a com as habilidades e os valores necessários para serem adaptáveis, inovadores e orientados às propostas desse mundo?

Nossos modelos educacionais tradicionais da era industrial estão simplesmente ultrapassados. O que é necessário não é uma mudança crescente na educação, mas sim uma revisão completa do sistema atual. Será preciso uma imaginação criativa para desenvolver novos modelos para a educação do século XXI.

É aqui que os inovadores em educação como Rohan Roberts entram em cena. Em seu novo livro inovador Cosmic Citizens and Moonshot Thinking: Education in an Age of Exponential Technologies (Cidadãos Cósmicos e Pensamento Moonshot: Educação em uma Era de Tecnologias Exponenciais), Roberts tem uma nova abordagem para o que precisamos fazer diferentemente para preparar nossos filhos para o futuro. Como educador premiado e líder em inovação na GEMS Education (a maior provedora de educação privada do mundo), suas ideias são apoiadas por décadas de interações com líderes corporativos, entrevistas com diretores, reuniões com os pais e pesquisas com alunos.

Em uma entrevista para o Singularity Hub, Roberts reimaginou o futuro da educação e enfatizou a importância de promover um senso de maravilha cósmica ao contemplar o propósito humano e a existência humana:

Raya Bidshahri: Estamos vivendo um mundo de mudanças aceleradas devido às tecnologias exponenciais. O que precisamos fazer de diferente em nossas escolas para acompanhar a inovação disruptiva?

Rohan Roberts: Em um mundo de maior automação e inteligência onipresente, veremos uma fusão entre humanos e máquinas. Há todos os motivos para celebrar as sofisticadas capacidades das tecnologias emergentes de hoje. Essas novas colaborações homem-máquina inaugurarão um futuro no qual os seres humanos e as máquinas construam seus pontos fortes e mútuos para contribuir por uma melhoria impressionante nas condições da vida cotidiana.

Classificar as habilidades que as máquinas devem trazer para a mesa e o que os humanos devem contribuir para essa parceria é fundamental. No mínimo, temos que aumentar a conscientização sobre o impacto das tecnologias exponenciais, ensinar os alunos a desenvolver uma mentalidade de abundância em um mundo de mudanças aceleradas e ajudá-los a alavancar essas ferramentas emergentes para resolver os grandes desafios enfrentados pela nossa espécie.

RB: Na sua opinião, quais são algumas das principais características de um currículo inovador? Quais habilidades, valores e mentalidades devemos ensinar?

RR: Qualquer currículo que se preze focará não no conteúdo, mas no desenvolvimento de habilidades críticas de sobrevivência, como liderança, agilidade e adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo, comunicação eficaz, análise de informações, curiosidade e imaginação. Em uma era de notícias falsas e fatos alternativos, devemos nos concentrar em ensinar nossos jovens a distinguir entre informação, má informação, informação errada e propaganda.

Precisamos nos concentrar em futuras fluências baseadas na solução de problemas, criatividade, cidadania digital, mídia e colaboração entre redes.

RB: Você aponta que a educação está começando a ser tratada mais como uma ciência do que como uma arte. Como a neurociência e a educação mente-cérebro estão moldando o ensino?

RR: O mapeamento cerebral e a varredura do cérebro são agora tecnologias exponenciais. Aprendemos mais sobre o cérebro humano nos últimos 10 anos do que em todos os séculos anteriores juntos. Vivemos em um momento especial em que a neurociência, a ciência cognitiva, a psicologia comportamental e a pedagogia estão começando a se entrelaçar no campo da neuroeducação ou da educação mente-cérebro.

RB: Em um futuro de automação tecnológica e crescente digitalização, como você vê as mudanças nos papéis dos professores?

RR: O professor do século XXI será mais um guia do que um sábio no seu palco. Os estudantes de hoje têm acesso a um tremendo poder e informações computacionais. Os dias do professor como perito e fonte de informação estão contados. Além de serem especialistas intercurriculares, os professores precisarão ser guias, conselheiros, mentores e facilitadores.

RB: Você explora a ideia da escola como um ritual. Como será a escola do futuro?

RR: Na escola do futuro, iríamos ver várias tendências: concierges de aprendizados orientados à IA (Inteligência Artificial), credenciamento no blockchain, múltiplos caminhos de aprendizado, micro-cursos, ambientes imersivos baseados em VR (Realidade Virtual) e AR (Realidade Aumentada), o uso de nootrópicos e aprendizagem e listas de reprodução centradas em interesses individuais.

Em última análise, vejo a escola do futuro como uma instituição independente de espaço, focada na robustez de nossos jovens e ajudando-os a alavancar a tecnologia de maneira que possam ajudar a resolver os grandes desafios enfrentados por nossa espécie.

RB: Você também explora a ideia de cidadania cósmica e promove um sentimento de temor e admiração na educação. Por que isso é uma abordagem impactante para a educação?

RR: A humanidade agora está à beira de grandes coisas. Mas Humanidade 2.0 não pode ser apenas uma atualização biofísica. Tem que incluir uma atualização moral e ética também.

Se reconhecermos que o destino humano é se tornar uma espécie multi-planetária e que o nosso futuro está nas estrelas, então temos que começar a treinar nossos alunos para discutir sobre quem somos, para onde estamos indo e o que queremos ser. Se quisermos ampliar nossos horizontes intelectuais e melhorar nossas limitações físicas, é imperativo que tenhamos essas conversas em nossas escolas.

Temos que estar preparando nossos alunos para ter uma perspectiva cósmica, estar cientes dos perigos e oportunidades associados ao trans-humanismo e explorar quais devem ser nossos próximos passos à medida que tomamos o controle consciente de nossa evolução.

 

Traduzido do original Reimagining Education in the Exponential Age publicado no site SingularityHub.com em 20 de setembro de 2018.

 

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